Quando a relação com a comida se torna sofrimento

A alimentação faz parte da vida e está presente em momentos de prazer, encontros, cultura e cuidado com o corpo. Mas, para algumas pessoas, essa relação deixa de ser leve e passa a ser marcada por culpa, perda de controle e sofrimento.
Os transtornos alimentares são mais comuns do que muitas pessoas imaginam e frequentemente são silenciosos. Entenda o que é a compulsão alimentar, como e quando buscar ajuda.
O que são transtornos alimentares?
Os transtornos alimentares são condições psiquiátricas caracterizadas por alterações persistentes na forma como a pessoa se relaciona com a comida, com o corpo e com a própria imagem.
Eles não dizem respeito apenas ao ato de comer.
Envolvem também:
- • Emoções
- • Autoimagem
- • Pensamentos automáticos
- • Formas de lidar com o estresse
Estima-se que entre 5% e 10% da população desenvolva algum transtorno alimentar ao longo da vida.
Apesar de serem mais frequentes em mulheres, os casos em homens vêm aumentando e muitas vezes são subdiagnosticados.
Principais transtornos alimentares

Anorexia nervosa
A anorexia é marcada por uma restrição alimentar importante, acompanhada de medo intenso de ganhar peso e uma percepção distorcida do próprio corpo.
A pessoa pode estar significativamente abaixo do peso, mas ainda assim se perceber “acima do ideal”.
É um dos transtornos psiquiátricos com maior taxa de mortalidade, tanto por complicações clínicas quanto pelo risco aumentado de suicídio.
Bulimia nervosa
Na bulimia, há episódios de compulsão alimentar seguidos de comportamentos compensatórios, como vômitos autoinduzidos, uso de laxantes ou prática excessiva de exercícios.
Muitas vezes, o peso se mantém dentro da faixa considerada “normal”, o que pode atrasar o diagnóstico.
Transtorno de compulsão alimentar
É o transtorno alimentar mais comum.
Estudos mostram que ele pode afetar cerca de 2% a 4% da população geral, podendo chegar a 20% a 30% entre pessoas com obesidade.
Diferente da bulimia, não há comportamentos compensatórios regulares.
O que predomina é a sensação de perda de controle e o sofrimento emocional associado.
Sobre a Dra. Giovana Pellissari
A Dra. Giovana Pellissari é médica psiquiatra, formada pela Univille e com residência em Psiquiatria pelo Hospital Heidelberg. pós-graduada em Psiquiatria da Mulher.

Seu atendimento é baseado em escuta ativa, ética e construção conjunta do plano terapêutico.
Na avaliação de compulsão alimentar, realiza:
- • Diagnóstico criterioso
- • Avaliação de comorbidades
- • Planejamento terapêutico individualizado
- • Acompanhamento contínuo
O que é compulsão alimentar?

A compulsão alimentar é caracterizada por episódios em que a pessoa ingere uma quantidade de alimento maior do que o esperado em um curto período, acompanhada de uma sensação clara de perda de controle.
Não se trata apenas de “comer muito”.
Durante o episódio, é comum:
- • Comer mais rápido do que o habitual
- • Sentir dificuldade de parar, mesmo querendo
- • Continuar comendo sem fome física
- • Comer até sentir desconforto
Muitas pessoas relatam uma sensação de “automático”, como se estivessem desconectadas do momento.
Depois, vêm os sentimentos difíceis:
- • Culpa
- • Vergonha
- • Frustração
- • Promessas de que “não vai acontecer de novo”
E, ainda assim, o ciclo se repete.
Para que seja considerado um transtorno, é necessário que esses episódios ocorram de forma recorrente e causem sofrimento significativo.
De forma geral, o diagnóstico envolve:
- • Episódios de ingestão alimentar em grande quantidade
- • Sensação de perda de controle
Associados a comportamentos como:
- • Comer muito rápido
- • Comer até se sentir fisicamente mal : Podendo até passar mal
- • Comer mesmo sem fome
- • Comer sozinho por vergonha
- • Sentir culpa ou repulsa depois
Além disso, esses episódios costumam acontecer pelo menos uma vez por semana, por três meses.
Existe ainda uma classificação de gravidade: Leve, moderado, grave e extremo.
Quão comum é a compulsão alimentar?
A compulsão alimentar é considerada o transtorno alimentar mais prevalente.
Além dos dados gerais, alguns pontos chamam atenção:
- • Cerca de 60% das pessoas com compulsão alimentar apresentam também sintomas de ansiedade ou depressão.
- • Muitas pessoas passam anos sem diagnóstico
- • O transtorno pode começar na adolescência, mas também surgir na vida adulta

Diagnóstico diferencial
Nem todo episódio de comer em excesso é compulsão alimentar.
É importante diferenciar de:
- • Comer emocional ocasional
- • Bulimia nervosa (quando há compensação)
- • Obesidade sem compulsão
- • Transtornos de ansiedade e depressão
Essa avaliação deve ser feita por um profissional, considerando o contexto completo.
Impactos da compulsão alimentar
A compulsão alimentar pode ter repercussões importantes.
Físicas:
- • Ganho de peso
- • Alterações metabólicas
- • Aumento do risco cardiovascular
Emocionais:
- • Baixa autoestima
- • Vergonha
- • Culpa persistente
- • Isolamento
Além disso, há uma forte associação com outros transtornos, como:
- • Depressão
- • Ansiedade
- • Transtornos do humor

Sinais de alerta: quando é importante procurar ajuda com mais urgência

Embora episódios ocasionais de comer em excesso possam acontecer, alguns sinais indicam que a situação merece atenção mais cuidadosa e a avaliação profissional o quanto antes.
É importante ficar atento quando:
- • Os episódios de compulsão estão acontecendo com frequência (semanalmente ou mais)
- • Existe uma sensação clara de perda de controle durante a alimentação
- • A comida passa a ocupar grande parte do pensamento ao longo do dia
- • Há sofrimento emocional intenso após os episódios, como culpa, vergonha ou sensação de fracasso
- • Você evita comer perto de outras pessoas ou passa a se isolar por vergonha
- • Existe alternância entre períodos de restrição rígida e episódios de compulsão
Alguns sinais indicam um nível maior de gravidade e não devem ser ignorados:
- • Uso de estratégias compensatórias (como vômitos, laxantes ou excesso de exercício)
- • Ganho ou perda de peso importante em curto período
- • Sintomas associados de depressão, como desânimo persistente, falta de energia ou perda de interesse
- • Ansiedade intensa ou sensação constante de descontrole
- • Pensamentos muito críticos ou punitivos em relação ao próprio corpo e à alimentação
Além disso, existem situações que exigem atenção imediata:
- • Pensamentos de que “não consegue parar” ou que perdeu completamente o controle
- • Ideias de autoagressão ou desesperança associadas ao quadro
- • Impacto significativo na rotina, trabalho ou relações
Quanto antes o quadro é compreendido e tratado, maiores são as chances de interromper o ciclo da compulsão e recuperar uma relação mais equilibrada com a comida e consigo mesmo, além da melhora importante na qualidade de vida.
Importância da psiquiatria no diagnóstico e tratamento da compulsão alimentar

Os transtornos alimentares frequentemente estão associados a outras condições de saúde mental, como Depressão, Transtorno de Ansiedade Generalizada e Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, além de alterações emocionais, impulsividade, e dificuldades de regulação emocional. Em alguns casos, a compulsão alimentar pode surgir como uma tentativa de aliviar sintomas emocionais que não foram identificados corretamente.
Por isso, a avaliação psiquiátrica é fundamental: além de realizar o diagnóstico do transtorno alimentar, ela permite investigar diagnósticos diferenciais e possíveis comorbidades que podem estar contribuindo para o quadro. Quando a causa de base é compreendida e tratada de forma adequada, o tratamento tende a ser mais efetivo, com melhora não apenas da relação com a comida, mas também da qualidade de vida e do sofrimento emocional como um todo.
Existe tratamento baseado em evidências
A dra Giovana realiza tratamentos para compulsão alimentar com eficácia comprovada que permitem:
- • Redução significativa dos episódios de compulsão
- • Melhora da relação com a comida
- • Diminuição da culpa
- • Ganho de autonomia
Cada plano é construído de forma individual.
Como funciona a consulta com a Dra Giovana

Na consulta psiquiátrica com a Dra. Giovana Pellissari, o objetivo vai além de apenas reduzir os episódios de compulsão alimentar. O atendimento é conduzido de forma individualizada, buscando compreender os fatores emocionais, comportamentais e psiquiátricos que podem estar relacionados ao quadro. Muitas vezes, sintomas de compulsão alimentar podem estar associados a condições como Depressão, Transtorno de Ansiedade Generalizada, Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade ou outros transtornos que impactam diretamente a relação com a alimentação e a regulação emocional.
Por isso, durante a avaliação, a Dra. Giovana realiza uma investigação cuidadosa da história clínica, dos sintomas emocionais, do padrão alimentar, da rotina e dos possíveis fatores associados ao sofrimento atual. Essa compreensão mais ampla permite construir um tratamento direcionado à causa do problema, e não apenas ao sintoma isolado.
O diferencial do acompanhamento está justamente nessa abordagem integrada, baseada em evidências científicas e conduzida com escuta acolhedora, ética e sem julgamentos. Quando o tratamento é direcionado corretamente, os resultados tendem a ser mais consistentes e eficazes, promovendo melhora não apenas da compulsão alimentar, mas também da qualidade de vida, da autoestima e do bem-estar emocional como um todo.
O ciclo da compulsão alimentar
Muitas pessoas descrevem um padrão que se repete:
- Tentativa de controle rígido ou restrição
- Aumento da tensão emocional
- Episódio de compulsão
- Culpa e autocrítica
- Nova tentativa de controle
Esse ciclo pode se manter por anos, especialmente quando não há acompanhamento adequado.

Compulsão alimentar não é falta de força de vontade
Esse é um dos maiores mitos.
A ideia de que a compulsão é “falta de controle” ou “fraqueza” só aumenta a culpa e dificulta a busca por ajuda.
Na prática, o que se observa é uma combinação de fatores:
- • Alterações nos circuitos cerebrais de recompensa
- • Dificuldade de regulação emocional
- • Padrões de pensamento rígidos
- • Influência do ambiente alimentar
Relação entre emoções e compulsão alimentar

Em muitos casos, a comida passa a funcionar como uma forma de lidar com emoções difíceis.
A compulsão pode surgir em momentos de:
- • Ansiedade
- • Tristeza
- • Estresse
- • Solidão
- • Frustração
- • Tédio
A alimentação, nesse contexto, traz um alívio momentâneo.
Mas esse alívio é temporário e logo dá lugar à culpa, criando um ciclo difícil de interromper.
Tratamento da compulsão alimentar
A compulsão alimentar tem tratamento.
E, na maioria dos casos, os resultados são bastante positivos quando há acompanhamento adequado.
O tratamento pode incluir:
Psicoterapia
Especialmente a terapia cognitivo-comportamental, que ajuda a identificar padrões e desenvolver novas estratégias.
Medicação
Indicada em alguns casos, principalmente quando há comorbidades associadas.
Organização alimentar
Com foco em regularidade, e não em restrição extrema.
Regulação emocional
Aprender outras formas de lidar com emoções é parte essencial do processo.
O acompanhamento psiquiátrico permite integrar essas abordagens de forma individualizada.
