
Apostar, para muitas pessoas, começa como uma forma de entretenimento. Um palpite em um jogo de futebol, uma aposta ocasional, algo visto como diversão.
No entanto, em alguns casos, esse comportamento deixa de ser pontual e passa a ocupar um espaço cada vez maior na rotina, nos pensamentos e nas decisões financeiras.
Quando isso acontece, o jogo pode deixar de ser lazer e se tornar fonte de sofrimento.
O vício em apostas ou, como é conhecido na psiquiatria, jogo patológico, é um transtorno mais comum do que parece e muitas vezes silencioso.
Muitas pessoas passam meses ou até anos tentando lidar sozinhas com o problema, acreditando que “na próxima vez vão recuperar o dinheiro” ou que conseguem parar quando quiserem. Mas nem sempre isso acontece.
Estudos internacionais estimam que o jogo patológico afete cerca de 0,5% a 3% da população adulta, enquanto uma parcela ainda maior apresenta comportamento de risco.
Com a expansão das apostas online, esses números vêm aumentando, especialmente entre adultos jovens.
Sobre a Dra. Giovana Pellissari

A Dra. Giovana Pellissari é médica psiquiatra, formada pela Univille e com residência em Psiquiatria pela Clínica Heidelberg, onde também atuou como preceptora.
Seu atendimento é baseado em escuta qualificada, ética e abordagem individualizada.
No atendimento com a Dra. Giovana Costa Pellissari, as consultas psiquiátricas são um espaço seguro, humano e totalmente livre de julgamentos para tratar esse problema de frente. O foco não é apenas entender o que está por trás do impulso de jogar, mas trabalhar ativamente na resolução de problemas práticos.
A Dra. Giovana ajuda a controlar a ansiedade, as oscilações de humor e a impulsividade, ao mesmo tempo em que auxilia o paciente a reorganizar a rotina e a tomar decisões reais para sair desse ciclo. Seja conversando no consultório em Curitiba ou por telemedicina para quem está longe, você encontra a medicina e o apoio necessários para recuperar o controle da própria vida e desenhar um recomeço com estabilidade.
O que são dependências?

As dependências podem ser divididas em dois grandes grupos:
1) Dependências químicas
Relacionadas ao uso de substâncias, como álcool, nicotina e outras substâncias.
2) Dependências comportamentais
Relacionadas a comportamentos que ativam o sistema de recompensa do cérebro, como:
- • Jogos e apostas
- • Uso excessivo de telas
- • Redes sociais
- • Sexo
- • Compras
Mesmo sem substâncias envolvidas, essas condições podem gerar:
- • Perda de controle
- • Repetição do comportamento apesar das consequências
- • Dificuldade de interromper
- • Sofrimento emocional significativo
O jogo patológico se encaixa nesse segundo grupo e compartilha muitos mecanismos com as dependências químicas.
O que é jogo patológico?

O jogo patológico é um transtorno caracterizado pela dificuldade persistente de controlar o comportamento de apostar, mesmo diante de prejuízos financeiros, emocionais e sociais.
Ele passou a ser reconhecido formalmente como transtorno psiquiátrico em 1980. Na época, era classificado como um transtorno do controle do impulso.
Com o avanço das pesquisas, especialmente na área da neurociência, observou-se que o funcionamento cerebral envolvido no jogo patológico é muito semelhante ao das dependências químicas.
Por isso, atualmente, ele passou a ser incluído entre os transtornos relacionados ao uso de substâncias e comportamentos aditivos.
Essa mudança reflete um entendimento mais profundo de que não se trata apenas de um “hábito”, mas de um quadro clínico que pode exigir tratamento.
O crescimento das apostas nos últimos anos

Nos últimos anos, o acesso às apostas mudou de forma significativa.
Se antes era necessário ir até um local físico, hoje tudo pode ser feito pelo celular, a qualquer hora do dia.
As chamadas plataformas de apostas online, popularmente conhecidas como “bets”, cresceram de forma acelerada, impulsionadas por:
- • Publicidade intensa
- • Patrocínio de clubes esportivos
- • Influenciadores digitais
- • Promessas de ganhos rápidos
Esse cenário aumentou a exposição ao comportamento de apostar e, consequentemente, o número de pessoas em risco.
No Brasil, pesquisas recentes indicam que milhões de pessoas já tiveram contato com apostas esportivas online, com crescimento acelerado nos últimos anos.
Não é incomum, atualmente, que pacientes relatem perdas financeiras importantes e dívidas acumuladas relacionadas às apostas.
Como funcionam as apostas e por que podem viciar?

As apostas utilizam um sistema baseado em recompensas.
Do ponto de vista do cérebro, esse tipo de reforço é extremamente potente.
Ele ativa o sistema de recompensa, liberando dopamina (neurotransmissor associado ao prazer e à motivação).
Além disso, estudos mostram que pessoas com jogo patológico apresentam maior impulsividade e dificuldade de controle inibitório, o que contribui para a manutenção do comportamento.
E também há um fator psicológico importante:
A crença de que é possível recuperar o dinheiro perdido.
Essa expectativa mantém o comportamento ativo, mesmo após perdas sucessivas.
O ciclo do vício em apostas e do jogo patológico

Muitas pessoas descrevem um padrão semelhante:
- • Perda de dinheiro
- • Tentativa de recuperar rapidamente
- • Nova perda
- • Aumento do valor das apostas
- • Culpa e vergonha
- • Promessa de parar
E pouco tempo depois: o ciclo recomeça.
Esse padrão pode levar a endividamento significativo e sofrimento emocional intenso.
A Consulta com a Dra. Giovana Pellissari

Seu atendimento é baseado em escuta qualificada, ética e abordagem individualizada.
Na avaliação de pacientes com jogo patológico, realiza:
- • Investigação detalhada do comportamento de apostas
- • Avaliação de impulsividade e controle inibitório
- • Identificação de comorbidades psiquiátricas
- • Análise do impacto emocional e financeiro
- • Planejamento terapêutico individualizado
O objetivo é compreender a origem do comportamento e direcionar um tratamento mais eficaz, com foco em resultados consistentes e sustentáveis
Copa do Mundo e aumento do risco

Eventos esportivos de grande visibilidade, como a Copa do Mundo, costumam aumentar significativamente o número de apostas.
Isso acontece porque:
- • Há maior exposição a propagandas
- • O envolvimento emocional com os jogos aumenta
- • O comportamento de apostar se torna mais “normalizado”
Para pessoas já vulneráveis, esse período pode representar um risco maior de agravamento do quadro.
Por que é tão difícil parar?

O jogo patológico não envolve apenas decisão racional.
Alguns fatores dificultam a interrupção:
- • Ativação intensa do sistema de recompensa
- • Impulsividade
- • Expectativa de recuperar perdas
- • Negação do problema
- • Vergonha de compartilhar com familiares
- • Reforço intermitente (ganhos imprevisíveis)
Muitas pessoas escondem o comportamento por longos períodos, o que atrasa a busca por ajuda.
Sinais de alerta
Alguns sinais podem indicar que o comportamento deixou de ser recreativo:
- • Dificuldade de parar de apostar
- • Apostas com valores cada vez maiores
- • Tentativas repetidas de recuperar dinheiro perdido
- • Mentiras ou omissões sobre o comportamento
- • Impacto financeiro significativo
- • Preocupação constante com apostas
Em casos mais avançados:
- • Dívidas importantes
- • Uso de dinheiro destinado a necessidades básicas
- • Sofrimento emocional intenso

A importância do diagnóstico correto
Nem todo comportamento de aposta frequente configura jogo patológico.
O diagnóstico permite diferenciar:
- • Uso recreativo
- • Comportamento de risco
- • Jogo patológico Em muitos casos, o comportamento de apostar está associado a outras dificuldades emocionais ou psiquiátricas.
Sem essa avaliação, o tratamento pode focar apenas no sintoma ou seja sem de fato abordar a causa.
Além de também ser fundamental para diferenciar níveis de gravidade.
Comorbidades associadas ao jogo patológico
O jogo patológico raramente ocorre de forma isolada.
Estudos mostram que:
- • Cerca de 40% a 60% dos pacientes apresentam sintomas de Depressão
- • Entre 30% e 50% apresentam quadros de Transtorno de Ansiedade Generalizada
- • Há associação relevante com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade
Em alguns casos, apostar pode funcionar como:
- • Tentativa de aliviar emoções difíceis
- • Forma de escapar de problemas
- • Busca por estímulo em quadros de impulsividade

Quando essas condições não são identificadas, o risco de recaída aumenta.
Quando são tratadas adequadamente, os resultados tendem a ser mais consistentes.

Impactos do jogo patológico
As consequências podem ser amplas:
Financeiras:
- • Dívidas
- • Empréstimos
- • Comprometimento da renda
Emocionais:
- • Ansiedade
- • Culpa
- • Vergonha
- • Desespero
Relacionais:
- • Conflitos familiares
- • Isolamento
- • Perda de confiança
Em situações mais graves, pode haver prejuízo importante no funcionamento global.

Existe tratamento?
Sim, o jogo patológico tem tratamento.
E quanto antes ele é iniciado, melhores tendem a ser os resultados.
O tratamento pode incluir:
Psicoterapia
Ajuda a compreender padrões e desenvolver estratégias de controle.
Acompanhamento psiquiátrico
Fundamental para avaliação completa e manejo de comorbidades.
Estudos indicam que, com acompanhamento adequado, é possível reduzir significativamente os episódios e melhorar o controle do comportamento.

Casos mais graves
Em quadros mais severos, pode haver:
- • Endividamento importante
- • Perda de controle persistente
- • Prejuízo funcional significativo
- • Impacto importante na vida pessoal e profissional
Nesses casos, pode ser necessário tratamento mais intensivo, incluindo acompanhamento estruturado e, em algumas situações, internação.
Quando procurar ajuda?
Procure ajuda se você:
- • Não consegue parar de apostar
- • Está tendo prejuízo financeiro
- • Sente sofrimento emocional
- • Esconde o comportamento
Quanto antes o tratamento começa, melhores são os resultados.

Se você percebe que o comportamento de apostar tem trazido sofrimento ou prejuízo, saiba que existe tratamento.
Com acompanhamento adequado, é possível interromper o ciclo, reorganizar a vida e recuperar o equilíbrio.
Agende sua consulta e inicie seu processo de cuidado.